Várias linhas deveriam ser gastas sobre as palavras da pedagoga, alguém que nitidamente crê na educação como um direito e ato de amor [o que era de se esperar de uma boa Freireana - como suspeito que ela seja]. Haveria ainda o que se dizer sobre as analogias entre planejamento de uma escola e o planejamento de uma rádio, sobre a necessidade de criar um ouvinte ativo, sobre as experiências de dois presentes que já participaram de rádios comunitárias e trouxeram a realidade de uma população marginalizada (bolivianos, colombianos e outros latinos que aqui vivem).
Enfim, a palestra seria suficiente para levantar muitos tópicos e discussões, mas é uma dúvida bem simples e sincera que me incomoda no momento: o que estamos fazendo? Falamos em unir teoria e prática, fazer um estudo de comunicação que fosse usado para ajudar essas rádios e coisas do gênero, mas sinto - e, por favor, me esclareçam se a percepção for apenas minha - que estamos patinando aqui. Existem vários estudos, temos uma associação que volta parte de suas forças para isso - a oboré -, que já conta com comunicólogos, pesquisas e vivência, sem um completo descolamento acadêmico [sobre isso vale dizer que estou lendo o livro da chefe da Aninha, que ganhei ontem, por isso dessa última afirmação], e sinto que, no meio de tudo isso, ainda não descobrimos em que podemos, de fato, contribuir.
Esse post não é uma fala desanimada, apenas quero saber o que vocês estão pensando sobre isso.
sábado, 19 de abril de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
2 comentários:
Fato!
Eu sinto isso as vezes, como se estivéssemos invadindo um espaço que não é nosso. Mas acho que se quisermos descobrir algo para ajudar essas comunidades, é preciso conhece-las, e nós não as conhecemos!
Só acho que também não precisamos desistir disso. Lembra-se do que o Sérgio Gomes disse: esse é um assunto ausente da cademia, e poderíamos sim resgatá-lo e trabalhá-lo. E já que somos publicitários, trabalhar sob esta óptica. Parece que o interesse por esses meios vem crescendo, não só por parte de organizações governamentais, mas também por agências.
Tem outro aspecto que ainda é muito questionáve em relação ao orçamento destas rádios: elas mal tem de onde retirar apoio financeiro com essa limitação ao "apoio cultural" que somente empresas localizadas no raio de atuação da rádio que podem fazê-lo. Nada mais publicitário do que buscar espaço de divulgação dentro destas rádios, certo? Lógico, pensando também em não transformá-las em meras rádios comerciais. Mas para isso precisamos conhecer e entender a situação.
Bom, eu entendo esse sentimento de que estamos patinando na situação. Mas há alguns aspectos importantes nisso: o primeiro é a falta de um tema específico de estudo, que como a Aninha falou, prescinde de um maior conhecimento das rádios. O segundo é a falta de uma base teórica para desenvolver esses estudos, e que obviamente depende da definição do tema para ser melhor escolhida.
Acho que um pouco de embasamento geral é fundamental pra todos antes mesmo de começarmos a focar em algo. Mas defendo que não podemos demorar de definir um foco porque senão fica tudo muito vago e o interesse acaba sendo perdido.
Algumas perguntas que coloquei num post anterior, vou repetir aqui. Acho que seria interessante buscar respondê-las tb:
Em que medida o fato das rádios comunitárias servirem e terem o propósito de refletir os anseios de uma determinada população influencia na “voz” que essa população tem nesse meio? E mais, dentro de uma análise de comunicação, dá pra considerar esse arranjo como uma forma de comunicação bilateral? Ou a comunicação do rádio se mantém unilateral mesmo que seus autores sejam, ao mesmo tempo (em teoria), o seu público–alvo?
Essas duas últimas perguntas coicidem um pouco com o que conversei ontem com a Carol, sobre a idéia da nossa análise ser focada na relação ouvinte-rádio, já que o que sabemos até agora ter sido pesquisado é focado na relação rádio-ouvinte. O feedback da comunidade e o quanto ela influencia a programação da rádio não é algo que, acho, esteja muito claro. E que poderia ser um estudo que tivesse a utilidade prática da qual não queremos abrir mão.
Postar um comentário